“Conhecer os jovens é condição prévia para evangelizá-los. Não se pode amar nem evangelizar a quem não se conhece”. (CNBB, Doc 85, 10). É com essa reflexão que iniciamos a leitura da primeira parte do documento 85 da CNBB – Evangelização da Juventude: desafios e perspectivas pastorais.
Após vinte anos, a Campanha da Fraternidade retoma o tema da juventude, em um contexto novo e complexo, que alguns autores dizem estar para além de uma simples época de mudanças, tratando-se, na verdade, de uma “mudança de época”. Isso porque as novidades são inúmeras e aparecem o tempo todo. Os avanços na comunicação são também um desafio, haja vista seus benefícios e fragilidades. Sem contar que estamos na sociedade da informação e, com acesso facilitado a elas, “os jovens, às vezes, têm dificuldade de interpretá-las, de aprofundá-las e de aplicá-las à vida” (CF, 47).
É nesse sentido que, para se aproximar “afetiva e efetivamente” do jovem na atual realidade, o Secretário Geral da CNBB, D. Leonardo Ulrich Steiner, ressaltando o referido trecho do Documento 85, diz: “desejamos compreender a realidade em que vivem nossos jovens: os conflitos, as alegrias, as esperanças, a violência que sofrem, a participação na vida e serviço dentro da Igreja e a cultura midiática em que estão inseridos” (CF 2013, DVD).
Tais questões devem ser levantadas em cada comunidade, por todas as pastorais e movimentos que compõe o Corpo de Cristo. Temos novamente o privilégio de receber da Igreja as orientações necessárias para passarmos de “uma pastoral de mera conservação para uma pastoral decididamente missionária” (CELAM, Documento de Aparecida, n. 370,apud CF, 247), desta vez, em relação às ações realizadas/dedicadas para (e com) a (s) juventude (s), dando-lhe o espaço/apoio necessário para o desenvolvimento de atitudes protagonistas, com o devido acompanhamento, já que
[...] a Igreja acredita há décadas no valor da assessoria adulta. A dinamicidade juvenil e as inúmeras provocações e oportunidades que o mundo lança aos jovens conclamam, mais do que nunca, a presença educativa daqueles que, à semelhança do Bom Pastor e sob a inspiração do episódio dos Discípulos de Emaús, são enviados a eles. Em sintonia com os outros responsáveis pastorais, aqueles acompanhantes de jovens exercem uma missão irrenunciável de acolhida, valorização e orientação. Longe de ter uma postura impositiva, o assessor vive a sua missionariedade de maneira respeitosa da realidade e da cultura juvenis (CF, 202).
Para tanto, torna-se imprescindível observar: Como vive a juventude brasileira (e a da nossa cidade, do nosso bairro, da nossa comunidade)? Quais são suas características culturais, anseios, expectativas e temores? O que está transformando a mentalidade dos jovens? Como a exclusão social atinge a nossa juventude? Como tem sido a vida familiar e o convívio dentro de casa? E o perigo das drogas? Qual a influência das novas tecnologias da informação na vida dos jovens? Como a Igreja e, particularmente, a Pastoral Juvenil, vai enfrentar esses desafios? – Estar disposto a refletir sobre essas questões é comprometer-se com a evangelização desta grande parcela do povo de Deus que é o presente da Igreja, como bem disse o Papa Bento XVI:
Vós, jovens, não sois apenas o futuro da Igreja e da humanidade, como uma espécie de fuga do presente. Pelo contrário: vós sois o presente jovem da Igreja e da humanidade. Sois seu rosto jovem. A Igreja precisa de vós, como jovens para manifestar ao mundo o rosto de Jesus Cristo, que se desenha na comunidade cristã. Sem o rosto jovem, a Igreja se apresentaria desfigurada. Grifo nosso (Discurso do Papa Bento XVI aos jovens – 10 de maio de 2007 – Estádio do Pacaembu, São Paulo/SP).
A Campanha da Fraternidade apresenta todos os anos uma realidade para ser refletida, rezada, transformada. Como foi possível constatar, neste ano ela
convoca todas as forças vivas da Igreja para um diálogo aberto com o jovem para que haja uma compreensão da cultura dos mesmos e suas linguagens, favorecendo assim, uma aproximação mais afetiva e efetiva com eles, num renovado processo de uma grande Evangelização (CF 2013, DVD).
Para essa complexa – mas necessária – compreensão da realidade juvenil à luz da Palavra de Deus, podemos começar pela leitura do Texto Base da CF 2013, que certamente, pela ação do Espírito Santo e intercessão da Virgem Maria, nos fará dizer: Senhor, para a Evangelização dos jovens, “Eis-me aqui, envia-me” (Is 6,8).